terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Utopia real


Eu vi a perfeição na manha nublada de um dia ensolarado. Ela me encantou, me fez sorrir internamente e esboçar um sinal de alegria. Era clara, tinha olhos negros que contrastavam com a sua claridade criando um equilíbrio perfeito. Um equilíbrio que num primeiro momento também me equilibrou me desequilibrando. Tirando os  meus defeitos, erros e mesquinharias.
             No meio do meu transe, o ônibus passou. Corri para pegá-lo, sentei num banco atrás da perfeição. Me senti bem, porque era como se aquela pessoa me transmitisse  algo de bom. Alguns momentos depois ela cedeu seu lugar para um velhinho que entrara no ônibus. Naquele momento tive o ímpeto de sair do meu lugar e dá-lo à ela. Mas contive-me, não queria assustá-la com a minha inferioridade. Estando em pé, eu a podia ver melhor, podia usufruir um pouco mais. Era uma paz tão grande, tão superior à qualquer paz que havia sentido que conclui que estava conhecendo a paz naquele momento. Ela estava dentro de um ônibus lotado e barulhento, cheio de pessoas apressadas e com mau humor e ninguém a percebeu, ninguém nem olhou-a.
             Chegando na universidade, senti um aperto no coração. Teria que me desfazer dela, ela iria me abandonar e me deixar só, imperfeito. Meus olhos marejaram, eu os fechei tentando aproveitar cada centésimo de segundo ao lado dela. Os segundos passaram e o meu ponto estava chegando. Minhas mãos tremiam, meu coração batia tanto que eu não sabia se ele batia mais. Meu ponto chegara, e com ele a saudade de quem viu o completo, mas para minha surpresa a perfeição também parou no meu ponto. Fiquei feliz em saber que ela fazia o mesmo curso que eu. Talvez a visse todo o dia, talvez até chegasse a conversar com ela, quem sabe sermos amigos?! Fui para sala eufórico, esperando talvez encontrá-la no intervalo,na saída, minha alegria era porque eu tinha certeza que ainda iria encontrá-la, talvez no intervalo, na saída, ou em outros dias, mas eu teria que encontrá-la.
             As aulas passaram, algumas boas, outras ruins, mas pra mim tudo era bom, cada palavra dita pelos professores entraram no meu ouvido e flutuaram num mar de luz e tranquilidade. Na saída, corri para o ponto para pegar o ônibus de meio dia. Sentei no cantinho do banco que batia sol e observei algumas pessoas conversando. Estavam criticando alguém, não me preocupei em prestar atenção, porque o papo não me interessava. Passou-se mais de 10 minutos e o ônibus não havia passado, e eu já não tinha mais paciência para escutar aquele bando de gente chata falando das coisas mais inúteis possíveis. Até que passou o ônibus que esperavam, e quando eles passaram por mim me assustei porque entre eles estava a minha perfeição. Diante daquela situação comecei a rir. Como sou idiota. Nomeei alguém que, graças a Deus, nem conheço como a figura da perfeição no qual eu queria me espelhar. Estava perguntando porque eu fiz aquilo, porque em alguns momentos eu idealizei a perfeição, mesmo nem tendo ideia do que realmente é perfeição. Percebi que sempre vivi de utopias, e do seus fins. Acho que crio utopias só para sentir a dor e a drama de vê-las cair no chão. 
                No fundo é bom se sentir triste, mesmo quando não se tem motivos para isso. Isso me dá inspiração, vontade de escrever. Na verdade a gente vive disso. De construção e quebras de ideais utópicos. Com isso a gente aprende ser real, a viver o direito de sermos e simplesmente sermos. Essa é a perfeição: SER. Ou talvez mais uma utopia minha que será quebrada um dia e se tornará tema de mais uns dos textos que escrevo. Mas esse é  preço que eu pago para viver, para poder ter a esperança de continar, de sonhar , para quem sabe um dia fazer da realidade o meu sonho, o meu ideal, o meu ser, a minha perfeição, a minha utopia real. 

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