Remorso
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Às vezes, uma dor me desespera...
Nestas ânsias e dúvidas em que ando.
Cismo e padeço, neste outono, quando
Calculo o que perdi na primavera.
Versos e amores sufoquei calando,
Sem os gozar numa explosão sincera...
Ah! Mais cem vidas! com que ardor quisera
Mais viver, mais penar e amar cantando!
Sinto o que desperdicei na juventude;
Choro, neste começo de velhice,
Mártir da hipocrisia ou da virtude,
Os beijos que não tive por tolice,
Por timidez o que sofrer não pude,
E por pudor os versos que não disse!
Olavo Bilac
Eu
compreendo a felicidade como algo duradouramente inalcançável e que por alguns
instantes pode se fazer presente em lampejos de alegria. Alegria essa composta
pela satisfação e pela saciedade. Expressar isso fica na maioria das vezes a
cargo dos dentes expostos naquilo que chamamos sorriso. Hora ou outra ainda
temos o som das chamadas gargalhadas para que o outro perceba em nós toda
suposta alegria.
Sorrir
é pra mim, dos atos humanos de nosso tempo, um dos mais fáceis. Construir a
feição da alegria é obrigação prematura em nossas vidas, encucada em nossas
mentes. Devemos contorcer nossos lábios para que o mundo entenda que podemos
viver nele. Entretanto não se esqueça de que nascemos chorando. Chorar que é
coisa nata.
Perceba
que é raro que o choro esteja presente em nossos momentos de alegria. Entretanto
quando alheios vemos outros chorarem e se ainda nos resignamos a saber o porquê,
trazemos no inconsciente que assim que ouvirmos a resposta saberemos que ali
alguma dor foi infligida. Nós a aguardamos nas lágrimas.
Mas
me conte como você descreve a face do remorso? Quais formas ganham nossos
lábios, quais sons emitimos, onde nossas mãos se apoiam?
Tenho
por bom tempo refletido e creio que o remorso só vem à superfície onde ele
nasce e isso acontece quando refletimos, na solidão. Não na solidão que se
abate dos ímpares, mas aquela em que mesmo de braços dados com outrem faz teus
olhos encararem o nada e fazer com que você, antes de tudo, rememore.
Não a vergonha que te deixa rubro, mas aquela que te faz esconder entre os ombros, ela é que abre porta para que o remorso avance. É nosso julgo que cria o remorso.
Não
são os olhos fixos no chão, os ombros que usa em auxílio para tentar fazer-te
invisível, mas a consciência de inúmeras coisas que te causam puro asco de si
mesmo, coisas que provavelmente se arrepende de ter feito. O remorso é puro
tormento e é só quando os olhos do mundo que te aceita se desviam, quando os
flashes param, quando só estão juntos você e seu suposto erro que o remorso se
apresenta.
Se
pedires para que o remorso seja mostrado, você pode conseguir tristeza, pode
conseguir medo, desespero, cansaço, falsidade... Você só vai conseguir trechos
dessa história longínqua que permeia os detentores dessa praga que amordaça,
mas nunca mais que uma página. Nunca mais que um lampejo. Um lapso.
Ouro
Preto, 4 de janeiro de 2013.
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